Pêssego
'IAC Tropical'

 [Prunus persica (L.) Batsch]


   Click na foto

Origem

      A  cultivar IAC Tropical (IAC 180-1) é descendente, em polinização aberta, da seleção IAC 371-2, proveniente do cruzamento de ‘Tutu’ x ‘Rubro-sol’. O pêssego ‘Tutu’ é F1 do cruzamento ‘Rei da Conserva’ x Jewel. A nectarina ‘Rubro-sol’ (Sunred) descende, em polinização aberta, de Panamint (Southland x Hawaiian). Ano de lançamento: 1989.

Características da planta

      Vegetativas - O pêssego 'Tropical’ possui porte medianamente vigoroso, com copa pouco densa; essa relativa baixa densidade foliar permite boa distribuição de luz no interior da planta, o que deve contribuir ao aumento da taxa fotossintética das folhas intra-copa. Em ultra-alta-densidade apresenta ramos de produção de maior diâmetro, quando comparado com cultivares mais vigorosas e de maior ciclo de maturação dos frutos. Possui em média, 50 nós de gemas.metro de ramo-1 (m.r.), o que equivale a 0,50 nó.cm-1 de ramo. O número de gemas por nó situa-se na faixa de 2,70, sendo 22,0% vegetativas.  Na base da lâmina foliar apresenta duas glândulas reniformes maiores e outras bem menores. Além de proporcionar curto ciclo de maturação, as plantas de 'Tropical’ apresentam a característica de diminuir o desenvolvimento vegetativo bastante precocemente. No planalto paulista, paralisa o crescimento dos ramos em abril, o que possibilita a sua desfolha e indução de floração logo a seguir. Essa paralização de crescimento dos ramos é caracterizada pela diferenciação de uma gema apical que, endodormente, impede a vegetação. Por esse comportamento vegetativo peculiar, constitui-se em adequada opção à exploração sob alta densidade de plantio, com ou sem poda drástica pós-colheita. Nessas condições seu porte é relativamente baixo, atingindo em média, 2,40m de altura no ciclo anual, facilitando os tratos culturais diversos.

       Reprodutivas - A indução e diferenciação floral nas gemas de ‘Tropical’ ocorre, em condições normais, em fins de dezembro. O domo meristemático muda da forma cônica para achatada, sucedendo o desenvolvimento dos órgãos florais. Ao final do verão, em março, seus botões florais encontram-se totalmente desenvolvidos no interior das gemas. Em abril, com a planta em endodormência, ocorre a senescência gradual das suas folhas. Para haver adequada deiscência foliar, o ‘Tropical’, assim como outros pessegueiros cultivados em áreas mais quentes, necessita de um tratamento desfolhante, indutor de floração e brotação uniformes. A sua plena floração ocorre, após 30-40 dias desse tratamento de quebra de endodormência. Em plantas fisiologicamente maturas, cerca de 78% das gemas são floríferas, com uma média de 2,1 flores.nó-1. O número de flores por m.r. geralmente tende ultrapassar a 100. As flores são do tipo “rosácea”, médias e  rosa normal, porém de tonalidade mais escura na base das pétalas. O cálice e as sépalas são vinho-esverdeados e pubescentes; o nectário floral é abóbora-forte e a superfície do ovário também bastante pubescente. O pistilo, que mede 12mm de comprimemento, apresenta estígma amplo e, em geral, abaixo da posição das anteras. Estas, em média de 46.flor-1; são bem formadas, amarelas e com leves tons avermelhados. O ‘Tropical’ é auto-fértil, produz, em média, 1.800 e 85.000 grãos de pólen.antera-1  e flor-1 respectivamente. O pólen apresenta germinação acima de 80%, quando cultivado in vitro, com a solução salina MS, acrescida de agar, sacarose e outros compostos orgânicos. Observa-se nos ramos, em baixa frequência, dois botões florais por gema individual, assim como flores bipistiladas. A queda das pétalas ocorre após uma semana da antese. A frutificação efetiva aproxima-se dos 40%, com uma densidade máxima de 40 frutos.m.r.-1. Na época do endurecimento do endocarpo (caroço), de 50 a 60 dias da floração, os frutinhos pesam cerca de 10 gramas, e já são bem avermelhados externamente (30-40%). Poucos dias da colheita o colorido dos frutos se intensifica, evidenciando claramente as estriações características. O ‘Tropical’, devido a sua adequada adaptação a regiões de clima mais quente, pode amadurecer seus frutos na terceira década de agosto. A sua colheita normal se processa durante setembro, após 70-75 dias da florada. Quando cultivado em regiões de clima ameno, a exemplo do Sudoeste Paulista, sua colheita se dá em outubro após 80-90 dias da plena floração. Em termos comparativos, a safra de ‘Tropical’ ocorre concomitantemente à de ‘Flordaprince’ ou ‘Maravilha’ e precede em cerca de 10, 20, 30 e 60 dias, as safras de ‘Rubro-sol’, ‘Jóia-1’, ‘Aurora-1’ e ‘Talismã’ respectivamente. Em ensaios regionais, a produtividade média no quinto ano após o plantio é de 20,3 ton.ha-1. Em pomares acima de seis anos verificam-se produtividade anual de cerca de 25 ton.ha-1, considerada alta para cultivares de ciclo de maturação bem precoce.

Características do fruto  

       Os frutos maduros de ‘Tropical’ são bem atraentes, com predominância da cor vermelho-escura, em 90% da superfície, sob fundo amarelo-ouro, com muitas estrias e  pubescência. São globosos e sem ápice, com massa média de 85 gramas (5,0cm de diâmetro). Os frutos maiores aproximam-se de 100 gramas. A base dos frutos é medianamente ampla, com a cavidade peduncular de amplitude e profundidade medianas; a linha sutural rasa os divide simetricamente. A polpa amarelo-clara é bem fibrosa e aromática, pouca suculenta e fundente; os frutos “de vez” apresentam textura bem firme, que se torna macia após quatro a cinco dias da colheita; sob frigorificação comum conservam-se bem por  15-20 dias. O caroço é solto, porém bem próximo à polpa, pequeno (3,6 gramas), oval, corrugado e acastanhado; devido à rapidez no crescimento dos frutos, apresenta-se às vezes partido e as amêndoas atrofiadas. O sabor marcadamente doce possui equilíbrio bastante agradável entre os ácidos (pH 4,2) e os açúcares (ºBrix 16,0), o que evidencia  sua superioridade aos demais pêssegos de ciclos curtos cultivados no Estado de São Paulo.

Adaptação a condições ecológicas

      O pêssego 'Tropical' é cultivado em várias regiões do Estado de São Paulo, abrangendo as latitudes desde 20º21'S até 24º00'S, com temperaturas médias anuais bem distintas. Verifica-se, no entanto, melhor produção e qualidade de frutos nas regiões Centro-leste e Sudoeste paulista.

 Outras informações e dados

      O pêssego 'IAC Tropical' está inscrito no Registro Nacional de Cultivares, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (RNC/SNPC/SARC/MAPA) sob nº 03260. 

       Os testes de Distinguibilidade, Homogeneidade e Estabilidade (DHE) foram realizados no CAPTA-Frutas, IAC (Jundiaí), no Polo APTA Leste Paulista (Monte Alegre do Sul) e no Polo APTA Sudoeste Paulista (Capão Bonito) e, ainda, em propriedades particulares de fruticultores em Limeira e Guapiara, SP.

 Referências  

BARBOSA, W.; CAMPO-DALL'ORTO, F.A.; OJIMA, M.. Comportamento vegetativo e reprodutivo de pêssego `Tropical': cultivar bem precoce do planalto Paulista. Campinas: Instituto Agronômico, 1990. 22p. (Boletim científico, 21)

BARBOSA, W.; OJIMA, M.; CAMPO-DALL'ORTO, F.A.; RIGITANO, O.; MARTINS, F.P.; CASTRO, J.L.; SANTOS, R.R. `Tropical': novo pêssego de coloração vermelho-intensa e bem precoce para São Paulo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 10., Fortaleza, 1989. Anais. Sociedade Brasileira de Fruticultura, 1989. p.462-430. [Artigo]

              Outras cultivares de frutíferas

by PqC Wilson Barbosa